Depoimentos


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Escrito por Administrator   
Qua, 01 de Julho de 2009 17:01
Depoimentos importantes sobre o autor!

"A glória de Lima Barreto cresce de ano para ano. Seus livros possuem tal marca de sinceridade, de humnidade, de verdade, de dramaticidade silenciosa e honesta, que as gerações se sucedem, as modas passam, os cabotinos aparecem e morrem, os tempos mudam, os acontecimentos mais patéticos enchem os anais dos tempos modernos, dentro e fora do Brasil, e, no entanto, o Pobre do Subúrbio, o burocrata do Ministério da Guerra, o homem que não tinha dinheiro nem prestígio para publicar seus livros, o homem que fugia de casa e refugiava-se no álcool para não assistir ao drama pungente da loucura paterna, o homem que tinha mais talento literário do que qualquer dos seus contemporâneos e, no entanto, viveu e morreu quase na indigência, esse homem Bom para quem a vida foi tão má é hoje uma das glórias mais puras do firmamento literário brasileiro e americano, que amanhã será 'descoberto' pelos norte-americanos ou pelos europeus, como só há pouco o foi Machado de Assis." (Alceu Amoroso Lima)


"Lima Barreto é, entre nós, na verdade o tipo perfeito do analista social, mas um analista que combate, que não ficou como Machado de Assis, por exemplo, no círculo de uma timidez intelectual esquiva ao julgamento. Ele não se limita a mostrar todos os fundos da cena, o que vai pelos bastidores da nossa vida; toma partido, assinala os atores que falam a linguagem da verdade, mostra o que há de falso, de mentiroso na linguagem dos outros"... "não tem as delicadezas, as intenções filosóficas de Machado de Assis, veladas pelo sorriso do cético. Antes é um forte, arremente, chicoteia os vendilhões da dignidade nacional. A sua ironia não traz o sombreado pudor da de Sterne, é ríspida como a de Swift, ainda mais real, porém, porque não se vale da fantasia, fá-la sentir-se na vida mesma que nos rodeia." (Jackson de Figueiredo)


"A verdade é que foi o mulato carioca, isolado na sua casa suburbana, em Todos os Santos, o pioneiro em nossas letras da nova concepção do romance, que passou a ver o homem em função da sociedade em que vive e não apenas dentro de si mesmo, fosse um elegante petropolitano ou um caipira paulista." (Francisco de Assis Barbosa)


"O espaço é pouco, num momento assim brasileiro, para conferir as façanhas de talento, raça, combate, entrosamento, pioneirismo. Sua obra até hoje é uma porrada, seca e rente, na nossa apatia, malemolência, calhordice, omissão, indiferença, farisaísmo, relapsia e macaqueação dos modelos estrangeiros..." ..."Mesmo nas páginas breves (sua crônicas), entendia, sentia e amava as criaturas mais insignificantes e comuns, os esquecidos, os lesados e os evitados pelo establishment. Ali estavam, para ele, as pessoas mais importantes do seu tempo, mexendo-se no mutirão dos pingentes urbanos, sobreviventes escorraçados lá no "refúgio dos infelizes", o subúrbio - gentes que não deram certo em canto nenhume do Rio de Janeiro. Mas eram o povo carioca, a periferia da corte que se dizia civilizada." (João Antonio)


"O maior e mais brasileiro de nossos romancistas."(Agippino Grieco)


"Um dos maiores, sob muitos aspectos, o maior escritor brasileiro." (Caio Prado Júnior)


"O amor à sua terra vibra nas descrições dos aspectos naturais do Rio e de seus subúrbios. São nervosas e reais. De permeio, evocam fatos históricos e costumes. Foi Lima Barreto o romancista da gente humilde e dos desprotegidos da sorte" (Moisés Gicovate)


"A obra de Lima Barreto nos revela, de um lado, o autor em que se chocam, frente a frente, a visão do novo e a permanência do velho, e, de outro, o intelectual que traz consigo a voz do inconformismo apontando para uma ruptura com a tradição, através de atitudes claramente favoráveis à renovação que viria a partir de 1922, com a Semana de Arte Moderna." (Antonio Arnoni Prado)


"O que mais nos espantava então era o estilo direto, a precisão descritiva da frase, a atitude antiliterária do escritor, a limpeza de sua prosa, objetivos que os modernistas também visavam. Mas admirávamos por outro lado a sua irreverência fria, a quase crueldade científica com que analisava um persongem, a ironia mordaz, a agudeza que revelava na marcação dos caracteres." (Sérgio Milliet)


“Há autores que, ao penetrarem no drama de sua contemporaneidade, sintetizam o tempo em que viveram e produziram. Quando isso ocorre. Seus escritos passam a expressar, não apenas a criação individual, mas a própria sociedade (...) Afonso Henriques de Lima Barreto, na singularidade de sua construção literária e na solidão de seu espírito foi, nesta perspectiva, um dos pontos limites da consciência possível dos intelectuais brasileiros (...)” (Afonso Carlos Marques dos Santos)


“A opressão escandalosamente disfarçada, escandalosamente aceita pelos senhores do poder, pelos bajuladores do poder, pelos submissos a qualquer preço ao poder, é denunciada por Lima Barreto em todos seus romances.” (H. Pereira da Silva)


"Lima Barreto foi uma espécie de personagem de romance russo desgarrado nos trópicos." (Gilberto Freire)


..."O Major Quaresma viverá na tradição, como um Dom Quixote nacional."(M. Oliveira Lima)


"Correto ou incorreto, de bom ou mau gosto, foi incontestavelmente um escritor muito consciente do móveis e fins, recursos e meios - inscrevendo-se como um dos maiores, senão o maior, dos escritores realistas desta fase crítica da nossa evolução social. E isso com tal riqueza de "comunicação" e de "expressão", que qualquer orientação gramatical ou estilística se pode comprazer em ver quantas questões queira, ligada à formulação prática, lúcida, expositiva, silogística, impressiva, expressiva, automática ou trabalhada do problema da arte literária." (Antonio Houaiss)


"Lima Barreto era, um tanto à maneira balzaquiana, o 'secretário da sociedade' da época em que viveu."(Osmar Pimentel)


"...intelectual consciente da responsabilidade do ofício, sincero, honesto, fidelíssimo às próprias convicções, ao próprio dever social"..."em muitos pontos , foi ele um precursor da fervente polêmica modernista, pois é possível encontrar nas suas opiniões o mesmo desejo de renovação literária." (M. Cavalcanti Proença)


"A sua obra, solitária como a sua vida, é, porém, incontestavelmente um elo entre o romance machadiano e as atuais tendências da ficção, entre o realismo psicológico de Machado de Assis e as buscas mais ousadas - embora não mais profundas - dos escritores que, depois do movimento modernista, e, sobretudo, depois de 1930, puseram em equação todos os problemas do homem brasileiro." (Lúcia Miguel Pereira)


..."foi ele o introdutor em nossa literatura do romance de crítica social sem doutrinarismo dogmático." (Monteiro Lobato)


..."o mais importante dos nossos romancistas do começo deste século, isto é, da fase anterior ao movimento modernista." (Astrogildo Pereira)

 

 

 

Última atualização em Sex, 03 de Julho de 2009 11:37
 


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