Coluna do Edmar


Futucando o Planeta com vara Curta PDF Imprimir E-mail
Escrito por Edmar Oliveira   
Ter, 11 de Maio de 2010 15:01
Futucaram tanto o planeta que conseguiram uma sangria desatada. Um poço de petróleo, no golfo do México, usando a mesma tecnologia empregada em todo os mares, inclusive pela Petrobrás e suas concessionárias ao largo de nossa costa, deu problema: uma plataforma pegou fogo, o ducto condutor do petróleo quebrou, uma válvula não funcionou como devia, e aí se derramou óleo do fundo do oceano enlameando as águas no maior desastre ecológico dos santos dos últimos dias. O derrame é contínuo, com a possibilidade de piorar, conforme o remendo empregado.

Esse susto foi só para que pudéssemos imaginar o perigo que corremos todos os dias de mais uma plataforma, entre milhares, naufragar, o cano quebrar e a válvula não funcionar em conter o derrame lá nas profundezas inatingíveis do oceano. É como se a seringa soltasse da agulha e o sangue da terra invadisse os mares sem que pudéssemos mergulhar para estancar a sangria. E o petróleo de nada nos serve a não ser matar a vida marinha, das aves e do costado marítimo da terra. Os americanos, vítimas primeiras desta vez, já consideram o prejuízo incalculável e Obama quer proibir esse tipo de exploração até que se consiga prevenir um acidente desses. Ainda não se sabe se falha mecânica (da tecnologia milionária empregada) ou humana (sempre vai se ter alguém em quem jogar a culpa).

Portanto que fiquemos alertas para a tão decantada exploração do pré-sal, onde a mesma tecnologia ao ir mais profundo tem tudo para aumentar a taxa de risco para a saúde do planeta. Não cansado dos desmatamentos, das queimadas, dos pastos ou do plantio da monocultura, que são apenas formas de atacar as florestas do planeta, acidentes desses nos mares podem apressar a inviabilidade da vida na terra. Tão futucando o bicho com vara curta...
Última atualização em Seg, 31 de Maio de 2010 18:03
 
Vamos ouvir o planeta? PDF Imprimir E-mail
Escrito por Edmar Oliveira   
Qua, 28 de Abril de 2010 09:41
Desde o terremoto do Haiti a terra se remexeu no Chile, na China, na Islândia. E um vulcão adormecido, de nome impronunciável com muitas letras e explosões, reviveu e manchou os céus de fumaça espessa, carregada de pedaços de vidro da sílica incandescente na pressão vulcânica, cobrindo o continente europeu em ameaça clara ao trânsito aéreo. Impedido de voar por alguns dias o mundo entrou em colapso, como se as pessoas dessa aldeia global fossem privadas do seu direito de ir e vir, afetando o movimento econômico e a justa movimentação do planeta. Céus não há. E terra e mar são lentos demais para a navegação deste frenesi inquieto de se estar aqui e ali quase ao mesmo tempo.< /br> Não é de se pensar que estávamos rápidos demais em volta do planeta? Com todo o equipamento tecnológico de videoconferências, Internet e celulares instantâneos, por que temos que deslocar os nossos corpos com a rapidez supersônica em volta da terra?< /br> As companhias aéreas, contabilizando um prejuízo monumental com as aeronaves paradas, pressionam as autoridades para a reabertura do espaço aéreo. Propõem deixar as altitudes de cruzeiro tomadas pela nuvem vulcânica e voar baixo onde os radares e equipamentos eletrônicos não funcionam. Os passageiros parados nos aeroportos acionam judicialmente as empresas por seus prejuízos. Os interesses econômicos teimam em voar, mesmo sendo real os perigos dessa vida.< /br> Temo que, se a gente não se aquietar um pouco para observar os sinais que o planeta nos emite no seu ruminar inconformado com nossa atitude, a tragédia anunciada pode ser precipitada. É hora de se pensar num passo atrás nesse inquietante movimento dos tempos modernos. Porque não diminuir o ritmo frenético das nossas aflições? Acho que o planeta tá falando e a gente tem que escutar um pouco, senão...< /br>/div> Edmar Oliveira
Última atualização em Qua, 28 de Abril de 2010 09:47
 
Universo Paralelo PDF Imprimir E-mail
Escrito por Edmar Oliveira   
Qui, 18 de Março de 2010 17:27
Quando menino, leitor insaciável de gibis espaciais, livros de Júlio Vernes, e adorador de cinema de ficção científica (tinha entre meus heróis espaciais Flash Gordon e Buck Rorgers – aceito o desconhecimento de vocês pela diferença de idade e de área específica de interesse), sonhava acordado com a existência de um Universo Paralelo. Não parei pra pensar se esse sonho era exclusivamente meu ou se o posso dividir com outros delírios que nos acomete na juventude. Mas ele era tipo a “zona fantasma” das revistinhas de Super-Homem (também ninguém se lembra?). Assim eu imaginava: paralelo a este mundo que a gente chama de real existia um outro, em outra dimensão, muito parecido a esse real, mas que atendia aos meus desejos de justiça, senso de democracia e anseios religiosos. Acho que por essa época fiquei ateu porque o Deus do meu Universo Paralelo não era assim tão inconseqüente e injusto como esse do meu mundo real. Ainda não me atrevia aos sentimentos da política, mas acho que ele se constitui antes nessa justiça democrática religiosa que carregamos em nós colhida de pedaços do mundo real. E passava muito mais tempo no meu Universo Paralelo que no mundo real, cercado de meus super-heróis que aplicavam a retidão da minha consciência. Hoje até entendo esse refúgio como necessário para escapar da minha entrada na loucura. Será que escapei?
Mas porque me lembro dele agora? Já beiro à velhice, já não posso me dar ao luxo de criar um outro mundo, tendo que me contentar com o real, velho e ruim, injusto e cruel, que me coloca em decepções sucessivas, pois quando acho que uma tal coisa já tá muito ruim, há sempre a possibilidade de piorar. Mas o que fez me lembrar do Universo Paralelo de minhas imaginações juvenis foi o recente (mas já duradouro) caso do escândalo do Distrito Federal. Os acontecimentos eram os mesmos que sempre aconteceram de forma contumaz aqui no velho mundo real: desvio de recursos públicos, dinheiro nas meias, cuecas e, quiçá, orifícios indizíveis por onde se alimenta a ganância humana. Primeira página dos jornais, imagens nas TVs, ouriço costumeiro e esquecimento previsível de nada acontecer aos nossos homens públicos ladrões. Assim nos acostumamos até acontecer novo escândalo e novas indignações sem nunca o castigo acontecer mesmo por pouco tempo.
Mas com o Arruda não foi assim. Preso, desde o começo do ano, continua nas grades (tempo recorde). Agora acaba de ser cassado do cargo por ter saído do partido pelo qual foi eleito. Será que o Arruda está vivendo no meu Universo Paralelo? Azar o dele, ali o bandido é punido pela Liga da Justiça...
Edmar Oliveira
Última atualização em Qua, 28 de Abril de 2010 09:45
 
Exercício do Poder PDF Imprimir E-mail
Escrito por Edmar Oliveira   
Seg, 01 de Fevereiro de 2010 08:12

O poder solicita o exercício. Ele é quase sinônimo de fazer. Os gregos já tinham sacado que essa coisa é séria e reservava o poder, mesmo num regime que inspirou a nossa democracia, para os sábios, os notórios, os que podiam se enredar nesse exercício para o bem comum, sem – quase nunca – colocar o fazer em benefício próprio. Sociedade classista, onde a democracia só atingia os homens livres, mas dentre os livres não eram todos com um currículo para o exercício do poder. Antes se conheciam suas aptidões nos destaques da sapiência, na dedicação ao bem comum. Mais isso era coisa de grego e seus presentes. Entre nós, aperfeiçoamos a democracia para que qualquer cidadão fosse ungido ao poder ou agraciados com pequenos poderes pelos poderosos. A democracia, na sua instância suprema, extinguiu os que sabíamos em sociedade estarem de acordo com o exercício. Qualquer um, democraticamente, por eleição direta ou indiretamente por indicação dos eleitos exercem o poder constituído. Mesmo que não mostre aptidão alguma ou tenha a ficha suja na polícia.
O que parecia o mais democrático possível – como sempre – tem seus efeitos colaterais, até piores que o remédio. Não vou falar dos grandes poderes e os podres – é só suprimir um “e” – do nosso cotidiano político dos dinheiros em meias, cuecas e orifícios indizíveis, que a riqueza deprava. Falo do exercício pequeno da atividade do poder. Já o exerci por algumas vezes e – todas – apenas se tinha um objetivo de promover o bem comum de uma clientela – os meus loucos – ou para abrir uma discussão com os canais da sociedade. Embora não seja um grego notório, sábio. Na concepção atual sou até uma besta, pois o único patrimônio que tenho é não precisar de sigilo bancário e ser justo, principalmente com os adversários. Ainda faz parte do meu patrimônio a chatice e defender o uso decente do dinheiro público, até na cobrança da carga horária, que se torna um desvio de recursos quando não cumprida. Posso me orgulhar em exercer o poder para o bem comum da clientela a quem servia.
Desde muito sabia dos podres poderes exercidos de forma narcísea com seu correlato de perversão. Mesmo os que são honestos, em relação ao erário, roubam a paciência dos subordinados, roubam a possibilidade de melhorar o bem comum. Mas não os tinha sentido na pele. Desde a última vez que deixei um cargo público (e espero não voltar mais, pois me aposento em breve) tenho sido submetido a capricho de Narcisos e suas formas perversas à exaustão. Bom cabrito não berra, por isso só escrevo sobre e em desabafo sem chiar na peia (como se diz na minha terra).
Mas o Narciso usa o poder para ficar mais belo, para se fazer notar que o tem, colocando barreiras de todas as formas em que os desafetos possam tropeçar, pelo simples prazer de falar para si no espelho: “ eu posso, eu quero, eu fiz”, enquanto atravessa a imagem refletida para se refugiar no seu ego. Porque o exercício do poder tem de acontecer por bem ou por mal. O poder não pode deixar de ser exercido, é da sua natureza acontecer de alguma forma. Mesquinhos e tristes esses podres poderes...

Última atualização em Qui, 18 de Março de 2010 17:35
 
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